24 janeiro 2005

Da série "...minha vida é um sitcom"
Episódio de Hoje: presente de aniversário




Conversa entre mãe e filho:
ELA - E então, já decidiu o que você quer de presente de aniversário?
MENOR - Sim. Eu quero um [inserir brinquedo caro pra dedéu]
ELA - Ah, meu filho, mas você já tem um brinquedo parecido, e ainda por cima esse aí é muito caro.
MENOR - Mas eu quero!
ELA (pegando um encarte de ofertas do jornal) - Olha aqui, tá vendo o preço do brinquedo que você quer? Agora olha quanto custa essa televisão. Viu? O brinquedo custa a mesma coisa que uma televisão nova.
MENOR (sem pensar muito) - Tá bom... Pode me dar a televisão mesmo...

Corta para abertura e créditos

12 janeiro 2005

Da série "...minha vida é um sitcom"
Episódio de Hoje: Sua lógica poderosa me derrota




Conversa entre pai e filho:
MAIOR - Pai, compra um [...insira produto genérico...] pra mim ?
EU - Não.
MAIOR - Compra, vai...
EU - Não.
MAIOR - Ah, pai... compra, por favor!!!
EU - Não, não e... NÃO!
MAIOR - Mas pai...
EU - Nada de mais. Eu já disse "não!" e essa é a última vez que eu digo isso!
MAIOR - Oba!!! Quer dizer que da próxima vez que eu pedir você vai dizer SIM????

Corta para abertura e créditos...

11 janeiro 2005

Eu Fui





Caraca... já tem 20 anos!

Dia 11 de janeiro de 1985

Lá estava eu na Cidade do Rock, testemunhando a abertura do Rock in Rio I

Ney Matogrosso, Erasmo Carlos, Pepeu & Baby, Whitesnake, Iron Maiden e Queen!!!

Foi realmente i-nes-que-cí-vel.

Incrível que não se fale nada sobre isso hoje nos jornais... uma pena.

"it was twenty years ago today, Sgt. Peppers told the band to play..."

06 janeiro 2005

O Meu Adeus...

Reproduzo aqui o texto que escrevi para o Sobrecarga em homenagem ao mestre Will Eisner.

Fica como homenagem póstuma e um singelo "Muito Obrigado."



Minhas histórias preferidas do Will Eisner

Por Luiz Eduardo Ricon — Quarta, 5 de janeiro de 2005

O que é que a gente faz quando perde um ídolo?
O que dizer quando um verdadeiro imortal morre de repente?
Como colocar aqui... agora, em meras dúzias de pixels, tudo o que guardei nesses anos todos em páginas e mais páginas, percorridas pelos olhos e guardadas nas prateleiras das memórias mais afetivas?

Como (e o quê!) escrever sobre a morte de Will Eisner?

...

Pois é... quando recebi a notícia triste através de um amigo, num email seco, num foward meio apressado que me chegou de repente, no meio da tarde, duas coisas me vieram à cabeça:

A primeira foi aquela que para mim é a melhor das histórias que ele escreveu e ilustrou: Um Contrato com Deus. Esse livro é um genuíno romance gráfico, em todas as acepções possíveis da expressão. Uma pequena maravilha que reúne poucas histórias, todas elas inspiradíssimas, comoventes, líricas, emocionais... humanas. Tudo tão diferente das grandiosas aventuras dos super-poderosos e superficiais heróis que até hoje adoro. Aquelas eram desventuras pequeninas, reais (ainda que fictícias). Eram memórias de alguém que tinha o talento único de ver o mundo bem mais calaramente através de uma página coberta de nanquim.

A segunda foi uma lembrança mais triste.

Foi no Rio, durante a Bienal de Quadrinhos de 91. Naqueles poucos dias, vários imortais passaram pela cidade e aterrisaram no Espaço Cultural dos Correios. Para mim, dois deles se destacavam dos demais: Jean (Moebius) Giraud e Will Eisner.

Difícil dizer qual dos dois é melhor, hein?

Mas na época eu estava numa fase mais Will Eisner... compreende-se.

Foi assim que me vi numa fila quilométrica, de pé, por quase duas horas, só para conseguir o precioso autógrafo do mestre na minha edição do Um Contrato com Deus.

Nunca fui caçador de autógrafo mas, para mim, aquela era uma forma de retribuir o que Will Eisner tinha feito por mim ao dividir comigo aquelas histórias. Era como se eu pudesse lhe dizer: "Oi, olha só... eu li!". E era como se a assinatura dele, rabiscada no topo da página, me respondesse: "Pois é, eu percebi. Obrigado!".

A fila anda... anda... anda, e eu me aproximo cada vez mais da mesa onde ele está.

Posso vê-lo, sorrindo, assinando autógrafo atrás de autógrafo.

Três pessoas na minha frente. "Vou conseguir!"
Duas pessoas na minha frente. "Não acredito!"
Uma pessoa na minha frente. "Vai logo, ô pastel!"
Minha vez...

De repente, um braço meio gorducho se estende à minha frente. Barrando meu caminho. "Ele está cansado! Não vai dar mais autógrafo!". Eu olho, sem entender. A fila reclama.

Will Eisner sorri. Diz em inglês que pode assinar mais alguns, sem problemas.

"Não. Acabou!", responde seco, o braço meio gorducho.

Will Eisner olha para mim. Me pede desculpas. "I'm sorry", diz.

Frustrado, eu lhe mostro o meu Um Contrato com Deus.

Até hoje não sei se ele viu. Até hoje tenho certeza que não se lembraria.

Mas naquele momento, foi como se eu lhe dissesse: "Oi, olha só... eu li!".

E isso já me basta.

05 janeiro 2005

Adeus, Will Eisner...


R.I.P - 04/01/2004































30 novembro 2004

Direto do "Túnel do Tempo"...




Agora responde aí, o que é pior:
a "roupinha" do ministro ou a "encaixada" do Bernard?

"Não fosse o gogó e os pés
A minha lente entrava na dela
No conto da mulher nota dez
Dá um close nela"


10 novembro 2004

Pré-Natal


São mais de 4 horas com alguns dos maiores guitarristas do mundo.

Disco Um:
"Cocaine," Eric Clapton
"Love in Vain Blues," Robert Lockwood Jr.
"Killing Floor," Clapton, Robert Cray, Hubert Sumlin and Jimmie Vaughan
"Sweet Home Chicago," Clapton, Cray, Buddy Guy, Sumlin and Vaughan
"Six Strings Down," Clapton, Cray, Robert Randolph and Vaughan
"Rock Me Baby," Clapton, Guy, B.B. King and Vaughan
"I Am a Man of Constant Sorrow," Dan Tyminski and Ron Block
"Road to Nash Vegas," Tyminski and Block
"Copperline," James Taylor with Jerry Douglas
"Steamroller," Taylor and Joe Walsh
"Oklahoma Borderline," Vince Gill and Douglas
"What the Cowgirls Do," Gill and Douglas
"After Midnight," J.J. Cale with Clapton
"Call Me the Breeze," Cale with Clapton
"March," Robert Randolph & the Family Band
"Green Light Girl," Doyle Bramhall II
"Incident at Neshabur," Carlos Santana
"Jingo," Santana with Clapton
"City Love," John Mayer
"Your Body Is a Wonderland," Mayer

Disco Dois:
"Rag Bihag," Vishwa Mohan Bhatt
"Tones for Elvin Jones," John McLaughlin
"Josie," Larry Carlton
"Question and Answer," Pat Metheny
"Going Down Slow," Honeyboy Edwards
"Time Makes Two," Robert Cray
"Give Me Up Again," Jonny Lang
"Neighborhood," David Hildago
"Whispering a Prayer," Steve Vai
"Desert Rose," Eric Johnson
"Funk 49," Joe Walsh
"Rocky Mountain Way," Walsh
"I Shot the Sheriff," Clapton
"Blues in C," Clapton
"Cause We've Ended as Lovers," Clapton and Jeff Beck
"La Grange," ZZ Top
"Tush," ZZ Top


Quer mais detalhes?
Que tal um gostinho?

25 outubro 2004

Da série "...minha vida é um sitcom"
Episódio de Hoje: O Parque dos Dinossauros




Sabadão de sol, nada como enfiar crianças, mulher e sogra no carro e partir em direção à Quinta da Boa Vista, para um piquenique com um casal de amigos.
Ah... comida, bate-bola com os meninos e um pouquinho de violão para relaxar e desestressar.
Tudo isso com direito a uma visita ao Museu Nacional e à exposição do Mastodonte brasileiro.

Em suma: um programa bem calmo, não fosse a minha vida um sitcom...

Lá pelas tantas, já cansados de tanto andar e ver todos aqueles esqueletos, múmias e bichos empalhados, sentamos novamente na grama para descansar do passeio.

Meu filho MENOR foi brincar com a amiguinha perto do rio onde uma garça fazia suas gracinhas. De repente, lá vem ele todo sorridente carregando alguma coisa em suas mãos:

MENOR - Papai, olha só o que eu achei!!
EU - O que foi meu filho, deixa eu ver...

Para minha surpresa (e nojo!), o MENOR coloca nas minhas mãos a cabeça já decomposta de um bicho morto, com os ossos do crânio e da mandíbula e todos aqueles dentinhos afiados à mostra. Se era gato, rato, cachorro ou gambá, não deu tempo para olhar...

EU - Que isso, MENOR???

MENOR - É um dinossauro, papai!!! Vamos levar ele pro museu?

Haja sabonete antisséptico...



22 outubro 2004

Cantando de Galo...




"É um hobby meu."
"O Brasil inteiro sabe."
"Ninguém tem nada a ver com isso."

Tá certo que o flagrante da PF foi claramente armado para atingir o Duda Mendonça e o PT, especialmente a poucos dias da eleição em SP.
Mas o marketeiro baiano bem que podia ter ficado quietinho no seu canto e poupado a gente de ouvir essas três frases, que são o retrato do que tem de mais cara-de-pau no Brasil.

Agora veja você se o fato de ter um "hobby conhecido" lá é desculpa para a contravenção?

Ah, se a moda pega...

...então o senhor assume que é o rei da prostituição infantil na amazônia?
"É um hobby meu."
"O Brasil inteiro sabe."
"Ninguém tem nada a ver com isso."

...Maluf, e os cinco bilhões no exterior? Você roubou mesmo?
"É um hobby meu."
"O Brasil inteiro sabe."
"Ninguém tem nada a ver com isso."

... Elias Maluco, você matou o Tim Lopes com aquela espada ninja?
"É um hobby meu."
"O Brasil inteiro sabe."
"Ninguém tem nada a ver com isso."


é gente... parece que temos finalmente um substituto nacional a altura para aquelas três frases imortais ensinadas por Homer Simpson a seu filho Bart e que, segundo ele, resolvem absolutamente TODOS os problemas:

"Não fui eu... já tava assim quando cheguei... e ... foi ele!"



08 outubro 2004

Dolphin 4 ever!


O "Mestre" Carlos Assale acaba de botar no ar um site dedicado às suas maravilhosas criações: as guitarras Dolphin.



O site está fantástico. Tem fotos de todos os modelos e fica bem claro ali toda a qualidade e o pioneirismo das Dolphin, tanto em design quanto nas ligações loucas de captadores e nas soluções encontradas para os problemas óbvios de se produzir instrumentos de qualidade no Brasil no final dos anos 80 (antes da "abertura" às importações)

Graças ao site, descobri que a minha Dolphin não é a 3020, como nós achávamos, mas parece ser uma GT 120X (que acabou usando o mesmo código do modelo 3020, que as lojas já conheciam, e daí a confusão).

Vejam aí uma foto dela nas mãos de um dos meus fiéis "roadies".



Aliás, que tal se o "Mestre" Carlos abrisse espaço no site para fotos das guitarras de outros dolphinmaníacos como eu?

Independente de qquer coisa, esse site resgata um capítulo importante da história da guitarra no Brasil, pois tenho certeza que o trabalho do Carlos Assale foi totalmente pioneiro, e gosto de acreditar que se hoje temos produtos decentes por aqui, pelo menos em parte, o caminho foi aberto pelas suas Dolphins.

Ainda me lembro quando vi a guitarra na loja e pensei: "caraca, essa marca importada eu não conhecia!" Era igualzinha a uma Ibanez, Jackson ou Kramer da vida, mas com um preço que eu podia pagar.

Lembro que gastei o salário INTEIRINHO do mês para comprá-la mas nunca me arrependi (naquela época morava com meus pais, sem mulher e filhos... dava pra fazer essas loucuras!)

E o susto quando um dos saddles da ponte quebrou ao meio quando fui trocar uma corda? Falta de jeito mesmo...

Felizmente, a loja mandou a guitarra pra SP e o pessoal da Dolphin trocou o saddle pra mim, sem custo. Se nunca agradeci, agradeço agora!

Velhos tempos, belos dias...

05 outubro 2004

SRV - 50 anos


No dia 03 de outubro, (um dia antes do meu aniversário!), Stevie Ray Vaughan teria completando 50 anos.

Ele nasceu em 1954, junto com a fender stratocaster, a guitarra que ajudou a tornar a sua música verdadeiramente imortal.
Em agosto de 1990, Stevie Ray Vaughan morreu num acidente de helicóptero, logo depois de tocar com Eric Clapton, Robert Cray e Buddy Guy.

Respeitosamente, este blog faz um minuto de silêncio e depois desce a mão!!!

30 setembro 2004

Da série "...minha vida é um sitcom"
Episódio de Hoje: Revelações na sala dos professores





Todo dia, eu saio do trabalho correndo para pegar os meninos na escola. Enquanto o MAIOR faz escolinha de Futsal (que nome horrível inventaram para o futebol de salão...), o MENOR fica esperando na sala dos professores, até eu chegar.

Mas o que será que ele fica fazendo enquanto espera? Pois bem...

Outro dia chego eu na sala dos professores (esbaforido como sempre!) e olho em volta, cumprimentando os quase 10 profesores e funcionários da escola estranhamente reunidos ali naquela hora da noite.

EU - Boa noite (ofegante). Tudo bem? (ofegante)
COORDENADORA - Olá, Pai, boa noite!
EU - Oi MENOR, vamos lá?
COORDENADORA - Eu estava aqui conversando com o MENOR e ele me disse que você ronca de noite, viu Pai?
EU - Ah, é?! (e eu pensando - "Que moleque fofoqueiro!!!") He, He, Que legal! (sorriso amarelo) Pois é, eu ronco um pouquinho de vez em quando, né?
MENOR - Um pouqinho não. VOCÊ RONCA MUITO ALTO E MUITO FORTE. Eu ouvi!!!
EU - Ah, você ouviu hoje, né? É que eu estou resfriado (cof-cof-cof!)
MENOR - Não, papai. Você ronca SEMPRE! Eu fico assustado...

Corta para: EU e o MENOR descendo as escadas...

EU - MENOR, você fala sempre essas coisas sobre o papai para as professoras?
MENOR - Falo.
EU - Mas não pode ficar falando que o papai ronca não, tá bom?
MENOR - Tá... Mas pode falar que você solta pum?

ENTRA vinheta musical e risadas...

13 setembro 2004


Da série "...minha vida é um sitcom"
Episódio de hoje: Sorriso Azul...



No meio da mudança, o carro carregado de caixas, coisas e pessoas resolveu enguiçar, claro. Alguém tinha alguma dúvida disso?
Bom, depois de mais de uma hora de espera, de diversas tentativas de fazer o carro pegar e de alguns telefonemas infrutíferos para o mecânico oficial, conseguimos a ajuda de uma amiga DELA, que morava perto de onde enguiçamos.
Ela (a amiga) conhecia uma oficina ali perto, deu uma carona e apresentou o mecânico, que me disse que não tinha como ir até o carro.
O carro teria que ir até ele....
Problema: o carro não ligava.
Solução, seguir em ponto morto, com o pisca alerta ligado e aproveitando que o caminho era só descida.
Depois de um cruzamento perigoso, uma favela ainda mais perigosa no meio do caminho e um sinal fechado, chegamos sãos e salvos (eu o carro e as coisas) à oficina.
Para relaxar, enquanto esperava para falar com o mecânico, fui beliscar alguma coisa. Afinal, eu espero melhor quando estou mastigando...
Meus filhos (o MENOR e o MAIOR), que vieram de carona com ELA e a amiga, devoravam um porcaritos qualquer e eu nem pestanejei, meti o maozão no saco (dos salgadinhos!) e enchi a boca, mastigando ruidosamente.
O mecânico chamou e lá fui eu explicar para ele em uns dez minutos tudo o que tinha acontecido.
Enquanto eu falava, fui ficando meio incomodado porque o homem não parava de olhar fixamente para a minha cara, para a minha boca. Pensei: "ué? Esse cara é surdo, burro ou maluco mesmo????"
Mas aguentei firme e expliquei tudinho pra ele.
Felizmente, o carro ficava pronto no mesmo dia (um sábado!), mas eu teria de esperar algumas horas ali na oficina, enquanto o resto da família iria para a casa da amiga d'ELA.
Na hora de dar a notícia, aproveitei para comer mais um montão daqueles salgadinhos deliciosos e péssimos para a saúde.
EU: Hmmmmm... muito bom esse negócio... é de queijo?
O MENOR: É, papai!
De repente, algo chamou a minha atenção: os dedos do MENOR estavam completamente AZUIS, assim como seus dentes e sua língua.
Assustado, olhei para o MAIOR, que acabava de morder mais alguns salgadinhos. Ele também tinha os dedos e os dentes totalmente azulados, como um quase-Fremen, ou como uma vítima daquelas pegadinhas com chiclete-de-casa-de-mágicas do meu tempo.
Imaginando como poderia estar A MINHA BOCA quando falei demoradamente com o mecânico (que me olhara fixamente, lembram?), peguei o saco dos salgadinhos e lá estava o aviso (tão óbvio quanto inútil a essa altura...):
"NOVO PORCARITOS - PINTA A LÍNGUA!!!"
É... vou ter que achar um outro mecânico.

24 agosto 2004

A Daiane errou, e eu também?



Novo texto no SoBReCarGa...


Por Luiz Eduardo Ricon — Terça, 24 de agosto de 2004

Eu xinguei a Daiane.

Não resisti.

Vai ver que sou presa fácil da mídia, ou fui na onda do Galvão Bueno, sei lá.

Eu acreditei de verdade no ouro de tolo olímpico e quando a Daiane pisou na bola, não houve duplo mortal carpado que segurasse o palavrão. Nem o meu e nem o dela. O palavrão de Daiane em Atenas, mesmo mudo, ecoou nos ouvidos e no peito de muita gente aqui no Brasil. E eu xinguei...

Ao meu redor, todo mundo me criticou. “Chegar na olimpíada já é muito”, “vai você fazer o que ela faz”, “você é o quinto melhor do mundo em alguma coisa?” e daí pra baixo.

Tá bom, desculpa...

Reconheço que devia ter tido a grandeza interior de tantos e tantos brasileiros, solidários e compreensivos, dando aquele tapinha nas costas e dizendo “bola pra frente, daqui a quatro anos você tenta de novo!”

Só que eu, brasileirinho que sou, queria mesmo era o lugar mais alto do pódio, a coroa de louros, a medalha de ouro. Eu queria mesmo era ver uma pretinha, dentucinha e bunduda, uma menina assim, bem brasileirinha, colorindo o mundo chato da ginástica olímpica.

Quer saber? Já estou farto de romenas, russas, eslovenas ou eslovacas branquelas, magrelas, atarracadas e acanhadas com seus primeiros lugares. E confesso: aquela pisada fora do tablado me tirou do sério.

Claro que "errar é humano", concordo.

Mas tem uma coisa: se você é o Ivo Pitanguy, por exemplo, o melhor cirurgião plástico do mundo e de repente "erra" numa cirurgia, seu cliente vai ficar com o nariz torto. E vai te processar, pode ter certeza.

Do mesmo modo, quando um atleta chega no nível da elite olímpica, não pode errar. Não pode ficar nervoso, passar mal, dar chilique, vomitar no banheiro. Para mim, faz parte da job description de atleta olímpico participar de competições importantes e estressantes, além de saber lidar com a mídia e até mesmo aturar o Galvão Bueno.

Na vitória e na derrota.

Desde a Grécia Antiga, no momento da competição, os atletas adquirem uma condição sobre-humana, viram os heróis que nos representam, que expiam e exorcizam os fantasmas de todos nós, meros mortais. É a tal da catarse, gente.

Logo, xingar a Daiane faz parte do meu direito de torcedor tanto quanto festejar a conquista do Penta no Japão. Afinal, eu não precisei entrar em campo e lançar aquela bola pro Ronaldo para ter o direito de encher a boca, gritar gol e beber um monte de cerveja depois do jogo.

Do mesmo modo que não sei dar duplo mortal carpado, mas me sinto no pleno direito de ficar puto da Daiane ter errado.

Se errar é humano, ficar puto também é. E somos todos humanos, eu, você e a Daiane.

Claro que os gregos já sabiam disso faz tempo...

Mas não tem nada não. “Daqui a quatro anos tem mais”, e “quinto lugar na olimpíada já é uma grande conquista”...

Ou não?

17 agosto 2004

SoBReCarreGado



Estou completamente sem tempo. Estou tão sem tempo que fui forçado a fechar minha conta no Orkut, de tanto tempo que eu perdia por lá tentando me conectar.
Isso explica em parte minha ausência.
Mas reclamaram comigo que eu não atualizava muito este blog - o que é verdade - e que me dedicava mais aos textos do SoBReCarGa - o que também é verdade.
Por isso, resolvi reproduzir aqui alguns dos textos da minha coluna Tempestade Cerebral, publicada por lá.

Vou incluir sempre no título um link para a coluna original, para quem quiser visitar o site.
Vamos lá!

Eu também não!
Por Luiz Eduardo Ricon — Sexta, 6 de agosto de 2004

Ainda nem vi o filme Eu, Robô mas uno-me aos colunistas aqui do SoBReCarGa: Asimov definitivamente não combina com Will Smith, nem com explosões, perseguições ou outros substantivos que soam como aumentativos. Aliás, se há algo que mereça aumentativo no texto e nas idéias de Isaac Asimov é exatamente isso: o texto e as idéias.

Porém, mesmo sem ter visto o filme, o que li sobre ele já me serviu para cristalizar uma sensação incômoda de anos e anos que finalmente foi tomando forma de pensamento, e de um pensamento um tanto quanto mórbido:

"A ficção científica no cinema morreu!" (posso até ouvir minhas palavras ecoando alguns segundos no auditório lotado)

Bom, deixando de lado o óbvio sensacionalismo apocalíptico dessa frase, que gerou uma discussão enorme no carro ontem à noite, vou tentar explicar meu ponto de vista:

Do jeito que se faz cinema hoje em dia em Hollywood, é praticamente impossível adaptar-se a contento um obra clássica de ficção científica, ou mesmo gerar-se um roteiro que seja realmente digno de ser classificado como uma obra de FC.

Não, não acho que Matrix se encaixe nessa categoria. Tá certo, é um ótimo filme, revolucionário em termos de efeitos especiais, mas como história de ficção científica é até bem rasteirinho e cheio de furos demais. E acreditem, vocês não vão querer que eu fale sobre isso...

Para que vocês entendam do que estou falando, vou dar um exemplo. Sabem qual foi (para mim, viu?) o último filme de ficção científica de Hollywood que realmente merece este rótulo: Gattaca - A Experiência Genética. Um filme menor, de orçamento que não era estratosférico e de sucesso igualmente modesto. Um filme de FC no melhor estilo que era seguido pelos hoje considerados "clássicos" do gênero, nos anos 60 e 70.

Filmes como Farenheit 451, por exemplo, que aliavam excelentes roteiros, direção, atuações e, acima de tudo, traziam reflexão, contestação, questionamento.

Afinal, é para isso que serve a (boa) ficção científica.

A literatura de ficção científica é um gênero especulativo, uma forma de expressão das angústias, dos dilemas e das grandes questões sociais e humanas que se colocam diante do mundo a partir do surgimento das novas tecnologias, do avanço da "ciência" e das consequentes mudanças na sociedade.

E isso não tem nada que ver com explosões, perseguições, efeitos especiais ou qualquer outra pirotecnia cinematográfica.

Vamos ser mais específicos: pegue um autor de ficção científica badalado como Philip K. Dick, por exemplo. Suas obras são constantemente adaptadas para o cinema, certo? Ok, algumas delas com orçamento, elenco e diretores milionários, outras com o Ben Afleck...

Mas não importa. Todas falham igualmente em captar a essência do que levava Philip K. Dick a escrever o que escrevia: a ambiguidade social, o dilema entre o real e o ilusório, a fraqueza e a torpeza humanas. Tudo isso desaparece em meio a uma avalanche de efeitos de computador, pulos, tiros, meneios, sorrisos ou músculos do galã da vez. São filmes bons? Às vezes. Representam obras de ficção científca de qualidade? Dificilmente...

Deixando o Ben Afleck de lado (senão é covardia!) vejamos o exemplo de Minority Report - A nova Lei, com Tom Cruise e Spielberg, o último arrasa-quarteirão inspirado num autor clássico de FC (só para fazer um paralelo com o atual Eu, Robô).

Você gostou do filme? Eu também.

Mas com certeza quem já leu uma linha sequer de Philip K. Dick sabe que, ainda que o esqueleto da história, com suas reviravoltas e revelações esteja ali, ainda fica faltando alguma coisa, que vem a ser justamente a "essência" do que K. Dick queria dizer. Coisa que não acontece, por exemplo, com Blade Runner, o caçador de andróides, de 1982 (talvez o último verdadeiro clássico de FC no cinema).

Nesse caso, o que faltou no Spielberg sobrou em Riddley Scott: respeito!

Blade Runner pega uma história de Dan O'Bannon, leve e livremente inspirada num romance de Philip K. Dick e consegue ser mais fiel do que se tivesse sido literal. Já Minority Report pega emprestada a griffe Philip K. Dick (criada por Blade Runner) para agregar algum valor e conteúdo a um mero exercício estilístico e estiloso de Cruise e Spielberg.

Há um axioma conhecido em Hollywood que diz que quando acabam as idéias do roteiro infalivelmente começa uma perseguição de carro. Pois bem, Spielberg inovou e resolveu interromper uma perseguição só para enxertar um comercial de carro (a cena da luta na linha de montagem do Lexus, lembra?). Enquanto isso, a história (e Philip K. Dick) que espere o cheque do patrocinador compensar...

É por isso que eu sustento que hoje, com os orçamentos, efeitos especiais e músculos, lábios, seios e glúteos artificialmente inchados, não dá mais para se fazer um bom filme de ficção científica. Pelo menos não no esquema cinema-pipoca-refrigerante.

Estou falando de um filme que provoque a platéia, que não seja óbvio, que gere conversa e não apenas comentários, que faça pensar e não apenas gastar. Isso, meus amigos, não se encaixa mais no grande esquema das coisas que governa a máquina de Hollywood.

É por causa dessas exigências do cinemão que (no meu entender) a ficção científica no cinema morreu. Pelo menos até que ressuscite nos filmes independentes, de baixo orçamento, oriundos dos circuitos de arte, universitários ou dos fan-films.

Porque se depender dos astros e estrelas de Hollywood, o espaço entre as orelhas do espectador vai continuar sendo a fronteira final, um buraco negro inatingível para os tiros, explosões e músculos em cartaz nos multiplexos.

Quanto ao Eu, Robô? É... eu também não.

06 agosto 2004

Blues in the Attic



A Casa do Alto ainda por cima (por cima mesmo!) tem um sótão enorme, transformado num loft, onde montei meu equipamento e faço um barulho de noite.
Olha umas fotos...

Alto das boas fotos



Um casal de amigos viajou para a Baviera (ela é de lá...) e deixou a casa deles no Alto da Boa Vista para que a gente passasse as férias de julho. Friozinho, lareira, meias de lã e a entrada da Floresta da Tijuca do outro lado da rua... precisa mais?
Saca só...




E olha que as fotos não mostram tudo, viu

26 julho 2004

O Curupira ganha mais uma!!!





O Curupira acaba de ganhar o primeiro lugar na versão São Paulo do festival Anima Mundi.

O filme foi premiado como a MELHOR ANIMAÇÃO BRASILEIRA, segundo o júri paulista.

Maravilha!!!!!

20 julho 2004

Curupire o seu Desktop!


Clique abaixo para baixar uns wallpapers exclusivos do filme O Curupira, um mimo aqui deste blog em comemoração ao prêmio conquistado no Anima Mundi.

800x600
1024x768


800x600
1024x768


800x600
1024x768

Mais um prêmio para o Curupira



O curta O Curupira acaba de ser premiado no Festival Anima Mundi no Rio. O filme, o primeiro episódio da série Juro Que Vi, desenvolvida por animadores e educadores em colaboração com um grupo de crianças de uma escola municipal do Rio de Janeiro, conquistou o terceiro lugar na categoria MELHOR ANIMAÇÃO BRASILEIRA. Confira aqui os resultados